De Canção em Canção

É como assistir pensamentos em conjunto com uma ótima dose de expressão corporal. Um amigo, ao sair da sessão, disse que o gostar ou não dessa obra, era uma questão de identificação com os personagens, eu me identifiquei muito, logo, amei. Acredito que vale MUITO a pena assistir, porém, assim como seu predecessor, Árvore da Vida (2011), não é para todos os gostos.

É um filme com toque de Closer (e isso não tem nada a ver com a participação de Natalie Portam), um quê de monólogos teatrais poéticos e um pouquinho de La La Land.

O enredo gira em torno de casais, triângulos, ou para ser mais exata, quadriláteros amorosos. Nossa personagem principal, Faye, é interpretada por Rooney Mara. Ela é uma jovem confusa que sonha ganhar fama nos palcos de musicais, para tal, tem um caso com Cook, um produtor já consagrado, interpretado por um dos maiores talentos de Hollywood atualmente, Michael Fassbender. Ela acredita que se dançar conforme a música dele, sua carreira irá fluir, mas eis que o amor entra em cena, ela se apaixona perdidamente pelo personagem de Ryan Gosling (La La Land) e é então que vemos o inicio do triângulo “amoroso”.

E agora? Como será essa relação, onde o oficial não sabe do amante, mas o amante sabe do oficial. Será que vale a pena arriscar um amor pela carreira ou vale mais a pena arriscar a carreira por um grande amor? Quando chega ao fim este dilema, somos apresentados à personagem de Natalie Portman, uma jovem garçonete que sonha ajudar em financeiramente sua mãe e será capaz de quase tudo para conseguí-lo, até mesmo arriscar sua alegria de viver e a sanidade participando de jogos sexuais.

O filme flui quase todo sem diálogos, nos é mostrado o tempo todo os pensamentos narrados dos personagens principais e muitos movimentos de dança. Temos como personagem da trama toda essa espetacular e marcante expressão corporal.

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Por falar em Natalie Portman, ela é uma atriz de quem admiro muito o trabalho, porém, não é difícil me ouvir dizer que sua imagem me cansa, sempre com mesmo estilo e mesmo cabelo, mas eis que em “De Canção em Canção” ela aparece lora, estilo de cabelo que realça ainda mais sua conhecida beleza.

Há a pequeníssima aparição de Kate Blanchet e Val Kilmer como coadjuvantes, que servem mais para ilustrar a importância que os personagens de Gosling e Mara têm um na vida do outro, e que o resto é resto, mesmo que o resto seja a Kate Blanchet.

Outro filme que esta irreverente trama – do igualmente irreverente diretor Terrence Malick – me lembrou, foi o quase vencedor do Oscar, La La Land. Além do personagem de Ryan ser bastante parecido, há aqui a batalha da protagonista em fazer escolhas entre amor e carreira artística, enquanto que o personagem masculino fica ali no lugar confortável. Podemos ver “De Canção em Canção”, também, como uma forma de final alternativo para La La Land.