O Mau Exemplo de Cameron Post

Imagina que loucura seria você adolescente ser tirado de sua vida cotidiana e colocado em uma instituição de ensino que mostra que ser você mesmo é errado? Certamente seria difícil e tiraria seu chão. Se sentir uma pessoa ruim só por não seguir os preceitos religiosos e convencionais da sociedade. “O Mau Exemplo de Cameron Post” é uma adaptação do livro escrito por Emily M. Danforth lançado em 2012. Desconhecia a história contada, mas adorei o assunto voltado para a cultura LGBTQ, algo que tem crescido e que espero crescer mais.

Sinopse: “Flagrada pelo namorado transando com a melhor amiga em pleno baile de formatura, Cameron Post (Chloe Grace Moretz) é enviada pela tia para um centro religioso que afirma curar jovens atraídos pelo mesmo sexo, mas para se submeter ou não ao suposto tratamento, a adolescente precisa antes descobrir quem é de fato.”

Não li o livro, mas dei uma pequena lida na sinopse para ver se batia. Só pela sinopse eu percebi que o livro engloba muito mais a vida dela na cidade do que no filme. O longa é praticamente todo focado no centro religioso, mostrando poucos vislumbres de sua vida antes de ser mandada para tal lugar. Isso e o fato da personagem principal ter 12 anos no livro, enquanto aqui ela já parece ser uma adolescente bem desenvolvida, aparentando uns 15 ou 16 anos. Não sei o quanto isso pode mudar de uma versão para a outra. Dito isso, posso dar minhas impressões de uma forma leiga sem me apegar ao material original ou ter que lidar com comparações.

Tentando resumi-lo, eu posso dizer que é uma história introspectiva da busca para saber quem é você de verdade. Todo adolescente passa por isso, e que fique aqui entre nós, eu ainda passo por essa busca. O grande agravante aqui e o que torna a história mais original e interessante é o confronto do homossexualismo contra a religião. Ter que ouvir que o que você tem é uma doença e que tudo o que você sente é psicológico. Vale lembrar que o período mostrado se passa em 1993, apesar de termos evoluído um pouco por aí, tenho certeza que isso ainda deve acontecer com certa frequência. Toda a busca por autoconhecimento culmina em revelações que são feitas apenas para si. Ninguém pode simplesmente exigir um comportamento que não condiz de verdade com o seu.

A personagem do título é vivida por Chloe Grace Moretz (Deixe-me Entrar) e está ótima. Sempre parecendo não pertencer àquele lugar, e sempre se mostrando sensata e reagindo de forma (como eu agiria) lúcida aos acontecimentos do local. Que em determinados momentos soam bem surreais a nossa realidade. O encontro com amigos que pensam parecido com ela e com outras que estão vivendo em outras realidades e devaneios a leva a essa jornada de descoberta sobre si mesma.

Quem já leu o livro tem a obrigação de vê-lo (sou desses). Acredito que tenha sido fiel a essência e ao drama da personagem. Também vale pra quem não leu. Se curte boas histórias de um mundo que você não conheça, pode ser uma ótima pedida para abrir os horizontes e aprender a tratar as pessoas de uma forma mais humana, sem que destrate alguém, mesmo que sem querer. Não é porque não vivemos essa vida que não possamos entender e evoluirmos como pessoas.