Éden

Apesar de ter o típico elenco de Oscar, Éden, do diretor Ron Howard (Uma Mente Brilhante) que coassina o roteiro, passou batido entre as principais premiações e também nos cinemas brasileiros. Em seu período pré-lançamento, foi bastante comentado por contar com o trio de beldades Sydney Sweeney (A Empregada), Ana de Armas (Blonde) e Vanessa Kirby (Missão Impossível), que têm figurado como algumas das mulheres mais atraentes da atualidade. Contudo, o filme lançado no ano passado por aqui ficou pouco em circuito, chegando rapidamente ao streaming Amazon Prime Video. O injustiçado “Éden” conta com excelente narrativa, direção impecável e shows de atuação.

A trama que faz lembrar uma espécie de “De Volta à Lagoa Azul” (1991) sinistra, é baseada em fatos reais conhecidos como o Caso Galápagos. Se passa no período entre guerras mundiais na Ilha Floreana. Local desabitado até que o filósofo, médico e escritor Friedrich Ritter (interpretado por Jude Law) vai residir lá com sua companheira Dore Strauch (Vanessa Kirby). O casal vive em meio a natureza e escreve matérias para o jornal, até que leitores alemães começam a achar que a ilha é uma boa ideia e decidem colonizá-la, a partir daí, o ser humano vai mostrar gradualmente sua pior face neste mistério de mais de duas horas que não são sentidas.

 

A família Heinz e Margret Wittmer (Daniel Brühl e Sydney Sweeney) têm motivos nobres, um lugar mais saudável para recuperação do filho adolescente com problemas respiratórios, e sem o menor auxílio de Ritter vai construir uma nova vida no local. Já a Baronesa Eloise Bosquet de Wagner Wehrhorn (Ana de Armas) chega com seus funcionários e amantes querendo colonizar a ilha e criar um resort, desestabilizando a harmonia, esta é o evento catalisador de todos os nefastos acontecimentos.

Apesar da presença de atores de peso como Law (Gattaca) e Brühl (Adeus, Lenin!), o ponto alto do filme é o trio feminino, composto por mulheres completamente diferentes, as comparações e paralelos que são mostrados entre elas que dão verdadeiro show de atuação sendo uma pena a falta de premiações, especialmente para Sweeney. Mais uma vez, o público mostra o mesmo preconceito enfrentado por Marilyn Monroe, aparentemente não se quer ver a moça em filmes mais densos, deixando sucesso e bilheteria para filmes blockbuster onde mostra as curvas. A dinâmica entre as personagens em um cenário silvestre faz lembrar “Mogambo” (1953) com Grace Kelly e Ava Gardner