Até o Último Samurai – 1ª Temporada
Até o Último Samurai é uma nova produção japonesa da Netflix, ambientada no turbulento ano de 1878, logo após o colapso da classe samurai na Era Meiji. Baseada no premiado romance de Shogo Imamura chamado Ikusagami, a produção é notável por sua ambiciosa escala e autêntica coreografia de lutas. O ator principal, Junichi Okada, que é mestre em artes marciais, não só estrela como o ex-samurai Shujiro Saga, mas também atua como coreógrafo das intensas sequências de ação, garantindo um realismo que minimiza o uso de CGI. O título vem sendo elogiado por misturar a autenticidade de um drama histórico com o suspense de alta tensão de um jogo de sobrevivência, servindo como um comentário social sobre a extinção dos guerreiros e as desigualdades do período.
Sinopse: “Ambientada em 1878, após o colapso da classe samurai na Era Meiji, a obra acompanha Shujiro Saga (Junichi Okada), um lendário ex-samurai que fez um voto de não mais usar sua espada, mas se vê forçado a quebrá-lo quando a miséria e a doença ameaçam sua família. Saga se junta a 291 outros guerreiros desonrados e desesperados em um brutal torneio de sobrevivência conhecido como Kodoku, uma competição mortal que se estende de Kyoto a Tóquio, onde o vencedor leva para casa 100 bilhões de ienes e a chance de restaurar sua honra. A trama se desenrola como um intenso drama de ação e sobrevivência, explorando a brutalidade da disputa enquanto os participantes lutam uns contra os outros em uma última e desesperada tentativa de encontrar um novo propósito em um Japão que já não os quer.”
Se alguém me perguntar sobre o que é a produção, automaticamente direi que ela é uma mistura de Xógum com Round 6. Porém, isso é só para se ter uma ideia, pois embora lembre essas duas obras, segue um caminho distinto. A Era Meiji (1878) não é apenas o cenário, mas o motor primário do conflito. O Japão passava por uma transformação radical, e a classe samurai, antes nobre e privilegiada, foi abruptamente desarmada e marginalizada. Com isso, o título explora a crise existencial e social desses homens. Eles são mostrados como indivíduos sem propósito, jogados na miséria por um governo que os considera como nada. Essa ambientação histórica de desespero e humilhação confere um peso dramático autêntico à trama, justificando a participação em uma competição tão extrema.
O elemento central da série é o Torneio Kodoku, uma competição de sobrevivência onde 292 ex-samurais lutam até a morte. Embora fictício, o jogo funciona como uma metáfora social poderosa e sombria. Ele expõe a exploração cínica dos mais vulneráveis por uma elite arrogante, que transforma o desespero de centenas de homens em um espetáculo brutal. Ao prometer uma quantia astronômica em ienes, o Kodoku obriga os guerreiros a abandonarem o código de honra e a se destruírem, servindo como uma representação acelerada da maneira como a sociedade da Era Meiji descartou e consumiu seus antigos heróis. Um dia heróis, outro dia párias da sociedade.
Nesse contexto é que conhecemos o nosso protagonista, Shujiro Saga, um lendário “Matador de Homens” que jurou renunciar à violência e à sua espada. Seu ingresso na competição é motivado não pela ganância, mas pela necessidade desesperada de salvar sua família da ruína e da doença. Esse conflito moral é o coração emocional da série. A luta de Saga não é apenas contra seus adversários, mas contra o próprio passado e seu voto de não violência. Sua jornada oferece uma exploração da honra em tempos de desespero, adicionando uma camada de complexidade e profundidade humana ao banho de sangue. Enquanto a maioria começa a matar indiscriminadamente pelo dinheiro, ele é o nosso escape humano para a barbárie que se segue.
Até o Último Samurai é uma boa série que, quando começou a esquentar de verdade, encerrou sua primeira temporada. Muitas pontas soltas ficaram abertas, e o torneio, junto com a descoberta da verdade por trás dos eventos, ficarão para o futuro. Ótimas cenas de ação e a imersão no contexto histórico da Era Meiji elevam o título a um patamar superior. O drama samurai é utilizado para explorar o desespero social e pode servir como uma metáfora atual de como o mundo funciona. Indico para quem gosta de dramas históricos, ação de lutas entre espadas, e para quem aprecia o formato de “jogo de sobrevivência”. Desde já, estou esperando pela continuação em uma nova temporada.
