O Som do Silêncio é um daqueles filmes que você vai sem esperar nada e fica encantado com o tamanho da história contada, mesmo que seja de uma forma bem intimista. O filme é dirigido e escrito por Darius Marder (O Lugar Onde Tudo Termina) que possui pouca experiência na área mas que já mostra uma maturidade absurda para isso. O longa inclusive foi indicado para 6 categorias no Oscar, entre elas: Melhor Filme, Melhor Ator (Riz Ahmed), Melhor Ator Coadjuvante (Paul Raci), Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Melhor Montagem. Não vi todos os concorrentes ainda, mas esse já tem a minha torcida.

Sinopse: "Em O Som do Silêncio, um jovem bateirista teme por seu futuro quando percebe que está gradualmente ficando surdo. Duas paixões estão em jogo: a música e sua namorada, que é integrante da mesma banda de heavy metal que o rapaz. Essa mudança drástica acarreta em muita tensão e angústia na vida do bateirista, atormentado lentamente pelo silêncio."

https://www.youtube.com/watch?v=O7Zm7YtJ7W8

Você alguma já se imaginou ficando surdo de uma hora para outra? Se isso acontecesse, como você agiria? Como você lidaria com essa perda importantíssima? Imagina que você é músico e que com esse problema você ainda estaria perdendo o seu ganha pão. Esse é o drama encontrado pelo nosso protagonista, algo que não se espera. O longa é genial a ponto de conseguir passar a angústia para você. Ele começa barulhento, devido a sua banda de metal e ele vai ficando silencioso conforme ele vai perdendo a audição. Até um ponto em que a agonia disso também te afeta. O elemento sensorial é muito importante para a experiência.

Com esses problemas, ele tem que começar uma nova vida e encontra uma comunidade de surdos que vão ajudá-lo a viver nessa nova condição. O paralelo de ser tratado como um viciado em drogas é muito válido, e isso também te incomoda, mas que aos poucos vai entendendo. Uma lição que aprendi nessa comunidade é que eles não consideram a surdez uma deficiência. Eu nunca tinha parado para olhar dessa forma e é genial como isso é colocado. A vida está lá, a felicidade ainda está lá, basta aprender a lidar com esse novo você. Buscar o seu eu do passado pode te prejudicar na vida e pode estar negando novas portas abertas que chegam até você.

Os momentos finais do longa é lindo e nos mostra que enfim a paz pode ser alcançada e que pode sempre estar a seu lado, sem mesmo perceber. Essa lição nos é apresentada no meio da projeção e não damos a devida atenção por não entendermos. Esse momento e o final são momentos sensoriais que tenho certeza que irão sentir o mesmo que eu. Essa transformação interna pode não ser fácil, mas que no final é simplesmente prazerosa.

A atuação do Riz Ahmed (Rogue One: Uma História Star Wars) é impressionante. Ele em nenhum momento soa exagerado, mas consegue passar tudo para gente. Nos deixa agoniado, desesperado, esperançoso e finalmente consegue nos deixar em paz após todo esse trajeto. Olivia Cooke (Jogador Nº 1) aparece pouco, mas é uma personagem central para o protagonista e sua atuação também é pontual e necessária. O último destaque fica para Paul Raci (No Ordinary Hero: The Superdeafy Movie) que é filho de pais surdos e fluente na língua de sinais, o que deu uma autenticidade maior ao papel. Seu personagem é incrível por ser o novo mentor do protagonista e toda sua atuação é impecável.

Dou RECOMENDAÇÃO MÁXIMA para ele. Um excelente filme que consegue mexer conosco e que nos faz aprender sobre um mundo em que não fazemos ideia de como é. Nos ensina também sobre como é viver com o que temos. A paz e a felicidade pode estar do seu lado o tempo todo e nem podemos notar porque estamos focados em outras coisas. As sensações causadas por ele são incríveis. Recomendo também que o vejam com um som razoavelmente alto para sentir todos as sensações necessárias. Acredite, essa experiência faz parte da narrativa e você vai entender o que quero dizer no final.

O filme se encontra no catálogo da Prime Video.