Em 1978, quando John Carpenter apresentou seu psicopata mascarado jamais podia imaginar que Michael Myers se transformaria num exemplar mítico da cultura pop. Todo dia de Halloween é a mesma coisa. Ele tenta assassinar a todo custo a babá/irmã Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) matando todos que se metem no caminho. Precursor do subgênero slasher, “Halloween” já rendeu teses de mestrado em faculdades de cinema e antropologia e sobrevive até hoje, como um ícone do horror dividindo o trono com Jason Vorhees (Sexta Feira 13) e Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo).
https://www.youtube.com/watch?v=o7KMfkiZYaQEm “Halloween”, versão 2018, não encontraremos nenhuma novidade o que é um bom sinal. O diretor David Gordon Green sabe que este é um terreno sagrado e mantém a estrutura de Carpenter, ignorando todas as continuações, partindo de onde o original parou. Na noite de halloween, um subúrbio americano é ameaçado pela presença fria e calculista de Myers que escapa do hospital psiquiátrico onde estava internado há anos, iniciando um jogo de gato e rato com Laurie – aqui uma idosa tensa e paranoica que vive numa cabana adaptada, ainda traumatizada pelos eventos ocorridos na juventude. Gordon Green faz várias referências e algumas gracinhas ocultas com ao filme original, mas puxa o freio de mão quando o assunto são tripas e facadas. Algumas mortes são em off, artifício usado em blockbusters que procuram abocanhar um certificado de maior bilheteria, mas mantém a essência com uma atmosfera saudosista e fiel invertendo o jogo onde, desta vez, Myers é a presa de Laurie.
O terror está na moda e este novo capítulo é uma franca homenagem ao grande fascínio por Michael Myers, após 40 anos de sua primeira aparição, equilibrando tensão e identificação sem apelar para os sustos fáceis e jump scares. Vida longa a Michael Myers.




