A Netflix adora um filme futurista. Acredito que seja um dos maiores resultados de seus algoritmos que geram histórias que agradam um certo público, mas que sempre traz algo genérico e sem alma à tela. O Brasil ainda não tinha uma obra assim, até agora. Biônicos é o escolhido para mostrar um mundo distópico onde as pessoas amputadas é que são os grandes astros do esporte. Até aí tudo bem né, o problema é a história que se cria por trás disso tudo.

Sinopse: “O ano é 2035, onde um mundo dominado pela tecnologia é o pano de fundo para um thriller distópico, no qual duas irmãs se encontram envolvidas em uma disputa intensa no salto em distância. Maria (Jessica Córes), uma das irmãs, alimenta o sonho de competir contra sua irmã, mas para alcançar esse objetivo, ela se vê obrigada a adentrar um mundo permeado por crime e violência. Enquanto o progresso da robótica eleva os atletas paraolímpicos ao status de estrelas do esporte, Maria enfrenta escolhas difíceis que testarão seus limites e valores em uma busca desesperada pela realização de seus sonhos.”

https://www.youtube.com/watch?v=Damps0Wkmd8&t=4s

Começando de uma forma bem direta já prefiro soltar que não gostei desse filme. As razões disso darei nos próximos parágrafos. Nesse aqui, focarei na parte boa (se é que existe). Brincadeiras a parte, vamos lá. A direção de Afonso Poyart (2 Coelhos) não é ruim, ele cria cenas bem boas até. São poucas cenas de ação, mas achei todas elas bem decentes e que elevam um pouco a média dessa obra. Os outros pontos positivos são os atores que também estão longe de ser ruins. Facilmente consigo destacar Jéssica Córes (Cidade Invisível), Gabz (Um Ano Inesquecível: Outono) e Bruno Gagliasso (Marighella). É isso que posso destacar de bom, agora vamos a pior parte.

A história é muito ruim. Não deu para comprar esse enredo completamente. É criado algo tão grandioso que parece não condizer nem um pouco com essa possível realidade. A nossa protagonista é frustrada porque ela não perdeu nenhum membro do corpo e no tempo em que se passa esse futuro, somente os amputados que possuem dispositivos biônicos é que fazem sucesso. Isso se passa em 2035, somente daqui a 11 anos de nossa realidade. Sei que a evolução está rápida, mas é impossível enxergar esse panorama em tão pouco tempo assim.

Em contraponto a essa tecnologia, existe a galera que é pró atleta que não possui nenhuma amputação. Esses caras viram praticamente terroristas da causa. O personagem de Christian Malheiros (7 Prisioneiros), o Gus, entra para esse grupo com tanta veemência como se fosse morrer em alguma guerra santa. Acho ele um ótimo ator, mas aqui, extrapolou o nível da vontade. Entrou em cheio em um projeto que era menos do que ele poderia oferecer. Ele tem a vontade, mas soou exagerado pela causa que poderia ser resolvida em um tribunal e não em ataques “terroristas”.

Simplesmente não consegui comprar a ideia desse filme e muito menos o seu desenrolar. Temos uma falas bobas e completamente desnecessárias, além de coisas sem sentido. Mas nada, nada supera a cena final de Biônicos. Se ele se leva a sério até aqui, nessa sequência final o escrachado chega da pior forma possível e tenho certeza que essa não era a intenção. Fui obrigado a soltar uma gargalhada alta e natural de tão ruim que ela é. Desculpa, não deu. Isso coroa tudo o que eu já não estava gostando no filme inteiro.